Douglas Moura Ferreira
e
Equipe de Tradução do Inglês
- en_USteam@conectiva.com.br
22/03/01
Diretrizes gramaticais
Infinitivo
ou estilo pessoal
Nos manuais em inglês, é muito comum o uso do infinitivo,
especialmente nas instruções para o usuário. Em português,
é usado somente em casos muito específicos, devendo normalmente
ser substituído pelo imperativo na terceira pessoa. Há, certamente,
determinadas situações (menus, caixas de diálogo,
textos de botões, etc.), quase sempre relacionadas com o software
e que representam a execução de uma ação, em
que o infinitivo deve ser usado.
Exemplos:
| Inglês |
Português |
| Use the script to save the existing configuration
to a diskette. |
Utilize o script para salvar a configuração
em um disquete. |
Open the file
Click the Close button an choose the Print menu.
|
Abrir o arquivo
Clique no botão Fechar e escolha o menu Imprimir.
|
Devemos sempre evitar transmitir a sensação de literalidade
ao traduzir. É preciso ser fiel ao sentido, porém o estilo
tem de ser pessoal. Isto inclui o uso dos tempos verbais apropriados, não
necessariamente os mesmos empregados no original, já que cada idioma
possui a sua própria personalidade.
O tempo futuro, utilizado com grande freqüência nos manuais
técnicos em inglês, admite uma tradução no tempo
presente, mais comum em português.
Exemplo:
| Inglês |
Português |
| This chapter will describe the procedure
to install a client/server system. |
Este capítulo descreve os procedimentos
para a instalação de um sistema cliente/servidor. |
Formas
modais ou imperativo
O inglês costuma usar as formas modais do tipo "deveria", "poderia",
"certifique-se de", etc., que em português, na maioria das vezes,
são supérfluas. Devem ser substituídas pelo imperativo
na terceira pessoa.
Exemplos:
| Inglês |
Português |
| You should save data before proceeding to
the next step. |
Salve os dados antes de ir para o próximo
passo. |
| Make sure you specify a valid name for the
device, and that you have network access rights. |
Especifique um nome válido para o
dispositivo e verifique se tem os direitos de acesso à rede. |
Tratamento
pessoal ou impessoal
Os verbos em inglês sempre exigem a presença do pronome
pessoal; em português, nós temos o recurso do sujeito oculto.
Podemos, portanto, evitar ser repetitivos no uso do pronome pessoal. Por
outro lado, é muito comum nos manuais em inglês o emprego
do pronome "you". Estas situações devem ser traduzidas, mantendo
o tratamento com o uso do pronome "você", mudando o tratamento para
a primeira pessoa do plural, ou mudando o estilo para o tratamento impessoal.
Exemplos:
| Inglês |
Português |
| ...you need to group the values on the right
in parentheses... |
...você precisa agrupar os valores
à direita entre parênteses...
ou
...os valores à direita devem ser agrupados entre
parênteses... |
| When you begin to use a new operating system,
you often feel like you want to learn everything at once.
If you choose this option... |
Muitas vezes, quando começamos a utilizar
um novo sistema operacional, sentimos como se tivéssemos de aprender
tudo de uma só vez.
Se esta foi a opção escolhida... |
Voz
passiva ou ativa
Evite abusar da voz passiva, pois isto produz um estilo prolixo e, muitas
vezes, confuso. O português é um idioma muito rico em variáveis
sintáticas, as quais, sem fugir da clareza e da simplicidade, permitem
um estilo elegante e variado, mesmo em manuais técnicos. Assim,
dependendo da frase e usando de criatividade e bom senso, podemos variar
na tradução destas situações.
Exemplos:
| Inglês |
Português |
| The adapter card is used as follows: |
O cartão adaptador é utilizado
da seguinte forma: |
| The following package cannot be installed |
Não é possível instalar
o seguinte pacote |
Tradução
da forma -ing
Como norma geral, o uso exagerado do gerúndio, mesmo nos casos
gramaticalmente corretos, denota um pobre domínio do idioma, por
um lado e, por outro, produz no leitor uma sensação de literalidade.
Em inglês, o gerúndio é utilizado com muita freqüência,
especialmente nos títulos, epígrafes e opções;
nestes casos, devemos sempre traduzir pelo substantivo correspondente.
Há situações em que o gerúndio deve ser mantido,
por exemplo, a indicação, na barra de status, de uma ação
que está sendo realizada.
Exemplos:
|
Inglês
|
Português
|
|
Adding
and saving documents to folders.
|
Adição
e gravação de documentos em pastas.
|
|
Printing...
|
Imprimindo...
|
Siglas
Devemos utilizar a sigla correspondente apropriada em nosso idioma,
embora, em informática, a grande maioria das siglas não seja
traduzida. Como norma, a primeira vez que aparecem no documento, elas devem
ser traduzidas entre parênteses.
Exemplo:
| Inglês |
Português |
| URL (Uniform Resource Locator) |
URL (Uniform Resource Locator - localizador
uniforme de recursos) |
Numerais
Como norma, os números de zero a dez devem ser escritos por extenso.
Também são escritos por extenso mil, milhões, etc.
e as dezenas, centenas e milhares quando fazem parte de números.
Em tabelas, fórmulas matemáticas ou exemplos sempre são
utilizados números. Estes também podem ser utilizados por
questões de espaço.
Exemplos:
| Inglês |
Português |
| 5 directories and 10 files |
cinco diretórios e dez arquivos |
| 5,000,000 |
cinco milhões |
Abreviaturas
Evite ao máximo possível as abreviaturas e utilize unicamente
as mais comuns. Quando necessário, por motivos de espaço,
siga as regras gramaticais de português. Como norma geral, as abreviaturas
devem manter mais de uma letra e incluir a consoante ou consoantes iniciais
da sílaba onde a palavra é cortada; sempre terminam em ponto.
Há uma série de abreviaturas já consagradas em
informática, que podem ser usadas regularmente, embora como norma
não seria demais traduzi-las sem abreviar a primeira vez que aparecem
no texto.
Exemplos:
MB megabyte
kb quilobit
kB quilobyte
B byte
pto ponto
ppp pontos por polegada
lpp linhas por polegada
n/a não aplicável
Pontuação
Vírgula, ponto, dois-pontos e ponto-e-vírgula.
O tradutor precisa ter sempre em mente que o inglês usa de maneira
diferente os sinais de pontuação. Um exemplo muito claro
é a vírgula colocada antes de "e" e "ou" ao final de uma
relação, que, em português, não deve ser colocada.
Portanto, a fim de evitar erros, o tradutor deve seguir as regras de pontuação
do idioma para o qual está traduzindo.
Como regra geral, a vírgula indica uma pausa breve em uma frase
e, durante a leitura, dá sentido ao texto escrito; o ponto é
empregado para indicar o final de uma frase; os dois-pontos assinalam que
a frase não terminou e que vem uma explicação em seguida;
o ponto-e-vírgula é o mais subjetivo de todos; indica que
a frase não terminou e marca uma pausa mais prolongada que a vírgula.
As vírgulas, pontos, dois-pontos e ponto-e-vírgulas são
grafados imediatamente após o caractere que os precede, sem espaço
entre o caractere e o sinal. Só depois do ponto a primeira palavra
deve ser escrita com inicial maiúscula; depois de dois-pontos pode-se
escrever em maiúscula, especialmente se for uma relação
de vários parágrafos precedidos por números ou marcadores,
uma citação textual, uma fórmula matemática.
Parênteses
Não deve haver espaços entre os parênteses e o texto
entre eles. Em português, se toda a frase está entre parênteses,
o ponto final deve ficar antes do parêntese final.
Hifenização
Em princípio, os tradutores devem evitar a inserção
de hífens. Se for necessária a divisão silábica,
siga as regras do idioma. Não divida nomes e marcas comerciais de
produtos (a não ser por restrição de espaço).
Na documentação, os tradutores NÃO devem inserir
hífens, já que a Conectiva usa o SGML e o HTML, e não
é possível visualizar a página e prever onde ocorrerá
uma mudança de linha.
Nota: Mais informações sobre questões gramaticais
podem ser obtidas nos sites do Estado
de São Paulo, Michaelis,
etc.